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Senta que lá vem história: Pablo Picasso

publicado em: 13/09/2013

Olha, vou confessar uma coisa para vocês: escolher um personagem para falar é bem mais complicado do que eu imaginava. Não só pelo escolher apenas, mas também porque às vezes bate um medo e sempre passa pela cabeça aquele “e se eu não conseguir fazer justiça?”.

Daí, pensando nisso,  cheguei à conclusão de que nunca vou conseguir fazer justiça a nenhuma das pessoas sobre quem eu escreva, mas e daí se eu quiser escrever assim mesmo? É o famoso “se tem medo, vai com medo mesmo”, em outras palavras, a velha cara-de-pau.

E já que é para ser cara-de-pau e ousada (sibite, para os sergipanos <3 ) eu trago para vocês ninguém mais, ninguém menos que Pablo Diego Jose Francisco de Paula Juan Nepomuceno Crispin Crispiniano de la Santisima Trinidad Ruiz Blasco Picasso y Lopez.

Não, eu não digitei nomes aleatórios e não se trata de um primo distante do D. Pedro II, mas sim do pintor mais amado por mim na vida! O meu, o seu, o nosso Pablo Picasso. Gosto tanto, mas tanto, que na época da exposição dele na Oca, vim de Aracaju para São Paulo só para ver. E quando acabei indo parar em Madri, fiquei até ser expulsa no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia viajando na Guernica. Eu, que quase não choro em filmes, chorei vendo aquele quadro impressionante.

Bom, mas antes que eu me perca nas minhas lembranças e fuja mais do assunto vamos começar. Então pega seu café, segura minha mão e senta que lá vem história.

Picasso era um figura. Ponto.

A vida toda dele tem tons peculiares, desde a história envolvendo seu nascimento, que dão conta de que quando ele nasceu foi considerado natimorto, sem sinais de respiração ou batimentos cardíacos. Quando o médico já estava quase desistindo resolveu dar uma baforada de charuto na cara do bebê e só assim Picasso começou a chorar. Isso aconteceu em Málaga, na Espanha, em 1881.

Seu pai era professor de desenho e sempre incentivou o filho que desde muito cedo demonstrou estar fora da curva em seus desenhos. Quando fez 20 anos se mudou para Paris, onde passou uma época de pindaíba extrema, e diz que, para conseguir se aquecer, precisou queimar vários de seus desenhos, na época da “fase azul”.

Um aspecto que chama muito a atenção em Picasso é que ele amava as mulheres. Foi casado com várias, se envolveu com inúmeras…era um cara acima de tudo sempre apaixonado. E as fases da sua carreira acompanham sua própria história nesse sentido.

Por exemplo, a “fase azul”, da pindaíba, onde tudo é triste, frio e sem graça, acabou quando conheceu Fernande Olivier, uma mulher considerada lindíssima, que trabalhava de modelo viva para vários artistas. Apaixonou e inaugurou a “fase rosa”, com motivos circenses e arlequins.

Em 1907 foi a vez de tocar o terror (nas artes) com a obra Les Demoiselles d’Avignon, que marcou profundamente a estética cubista. A musa da época foi Marcelle Humbert, que morreu em 1915, tuberculosa (era muito comum na época).

Em 1918 ele casou com uma bailarina russa, Olga Koklova, que lhe deu o primeiro filho, Paul. Eles ficaram juntos muitos anos, mas Picasso acabou se apaixonando por uma menina muito mais nova, o que resultou em um divórcio escandaloso na época, bem no estilo novela mexicana.

Quem acha que a lolita, que se chamava Marie-Thérèse Walter, foi a última, muito se engana. Depois de um tempo ele se apaixonou pela fotógrafa Dora Maar, (inspiração para o quadro “Mulher que chora”, parte da “Guernica”).

Depois de Dora ainda viria a pintora Françoise Gilot, que foi a única mulher a dar um pé na bunda dele, em 1953.
Finalmente, com 72 anos, Picasso resolveu casar mais uma vez, com Jacqueline Roque, 35 anos mais nova do que ele. Morreu em 1973, com 91 anos de idade, ainda se apaixonando arrebatadoramente.

É interessante ver que os relacionamentos amorosos eram fonte direta de inspiração para Picasso. Analisando sua obra de forma cronológica dá para saber como ele se apaixonava e quando o amor acabava. No começo as mulheres eram retratadas com traços suaves, cores alegres, angulosas, mas de certa forma sempre harmônicas. Quando a paixão acabava as mulheres se transformavam gradativamente em monstros, meio carrancas do Rio São Francisco, conhecem?

A trajetória e principalmente a obra de Picasso me intriga e emociona profundamente, desde menina. É tudo tão fora do esperado, tão fora da linha reta, do polido, e mesmo assim tão direto e verdadeiro. É sempre movido a paixão.

E vcs, tem algum artista predileto?

categorias : Arte
Laís Maia
Laís é advogada, mas com uma alma boêmia para Vinícius de Moraes nenhum botar defeito. Sergipana de criação e coração, voltou para a terra da garoa e se divide entre horas de pessoa jurídica e de falta de filtro social. Tem um quê de autismo, mas na verdade é um doce de pessoa.

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4 Comentários
Lais
Lais
26/09/2013 às 18h33
Nossa Eva, obrigada!! Fico bem feliz que você gostou, estou adorando escrever aqui. ;) Bjs!
26/09/2013 às 17h32
Texto massa, Laís! Flui, emociona e diverte! Adorei sua escrita e seu "tema". Sou jornalista, aluna de design de interiores e participo de um grupo de estudo de História da Arte, não pude deixar de clicar em outra página. Li e reli. Amei! Já já ponho meu blog no ar onde pretendo trocar idéias sobre História da Arte tb! Bjo e parabéns!
Luisa
14/09/2013 às 21h02
Tô amando ler essa seção!!! :*
Nicole H.
13/09/2013 às 21h42
Oba, você fez do Picasso afinal! <3