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Senta que lá vem história: Maysa

publicado em: 24/01/2014

Após uma sumida desnaturada volto para partilhar com vocês algumas histórias. Eu não me considero uma pessoa muito melosa. Sem dúvidas extremamente dramática, mas melosa não.

De tempos em tempos tenho um surto de drama e acabo procurando figuras que possuem ou possuíam esse mesmo traço de personalidade. É interessante saber mais um pouco sobre essas drama-queens que acabam te fazendo achar que você é uma pessoa prática e pragmática. Ameniza um pouco a autocrítica que, por si só, já é algo bastante trabalhado no drama.

Por isso, quando estava pensando sobre quem escrever lembrei-me do hino do drama: “Meu mundo caiu”. E quem mais dramático e sentimental que Maysa? A mulher é geniosa e temperamental, a típica diva. Então vai lá, enche o copo de uísque e senta que lá vem história.

Maysa Figueira Monjardim nasceu em 06 de junho de 1936. Alguns dizem que ela nasceu em São Paulo, outros no Rio de Janeiro, mas o fato é que ela era de uma família tradicional do Espírito Santo e os pais mudaram inúmeras vezes entre as cidades, até se estabelecerem em São Paulo. Os pais dela eram bastante boêmios, e gostavam muito de receber pessoas em casa. Foi nesse ambiente, com muita música e longas noites que Maysa cresceu.

Apesar de estudar em colégios tradicionais da cidade, não foi lá muito boa aluna e sempre teve uma quedinha para a bagaça.

Casou aos 17 anos com André Matarazzo, que era 18 anos mais velho que ela e com quem namorava desde bem nova. Eles se conheceram quando ela tinha só 5 anos, imagina só.

Ocorre que gente boêmia, temperamental e artista sofre imensamente se colocada em uma gaiola e foi bem isso o que aconteceu no casamento dela. E o fato de, logo após o casamento e o nascimento do filho, ter recebido convites para cantar e ter sido bem sucedida não ajudou muito no adestramento social da pessoa.

O casamento não resistiu à vontade que Maysa tinha de seguir carreira, e, cá entre nós, a vida dela mudou da água para o vinho, de uma vida confortável de esposa e mãe para o glamour e instabilidade da vida de cantora de sucesso. Foram inúmeros namorados, casos e escândalos, na vida de uma menina que aos 22 anos já era uma cantora riquíssima e super respeitada.

Só que, como eu já disse, algumas pessoas tem um imã para o drama. É sentimento demais para caber em um coração só. Maysa era assim, tudo em excesso. Drama, álcool, inseguranças, reações.

Ela teve um sucesso estrondoso e foi uma das maiores cantoras do país. Mas muito do impulso. Só para dar um exemplo, diz a lenda que em uma viagem à Paris, se deparou com os beatniks e cismou de entrar na viagem, dormiu em praças e quando voltou para o Brasil estava o pó.

Ao longo da vida, ela tinha alguns vícios, em álcool, em remédios para emagrecer, e em paixões. Era destemperadíssima e tretava com várias pessoas. Elis Regina e Nara Leão eram alguns dos seus desafetos, só para citar algumas. Era, como eu bem disse, a definição de diva.

Em relação ao filho, o conhecido Jayme Monjardim, que ela teve com o primeiro marido, sua vida desregrada não deixou que ela convivesse muito com ele. Eles não eram nenhum um pouco próximos e ele passou grande parte da infância/adolescência com os avós ou em colégios internos.

Muito embora ela fosse dramática a ponto de ser trágica, era dona de uma personalidade fortíssima e de uma ironia sem igual.

Tem um registro interessantíssimo dela se apresentando em um programa de televisão no Japão e ela bem irritada com o apresentador que estava mais interessado em saber como era o carnaval do Rio de Janeiro do que na música dela.

Foram várias histórias, escândalos e internações que infelizmente limitaram sua carreira.

Quando finalmente decidiu parar de beber, se submeteu a um tratamento com Antabuse, uma substância química utilizada para o tratamento do alcoolismo crônico que, em alguns casos, misturado com o uso de álcool, pode levar a morte. As pessoas próximas disseram que o remédio funcionava e que Maysa passou a beber bem menos.

Só que ela substituiu o vício em álcool por um inibidor de apetite que provocava vista turva, dependência química e delírios, apenas.

Foi numa dessas que, dirigindo a caminho de sua casa em Maracá, no litoral do Rio de Janeiro, ela sofreu um acidente seríssimo na ponte Rio-Niterói e não resistiu Apesar da vida cheia de acontecimentos e reviravoltas ela tinha só 40 anos.

Triste, dramática, mas inegavelmente uma personalidade e tanto. Muito sentimento concentrado em uma pessoa só.

Mas quem nunca teve um momento Maysa, onde no fundo, no fundo também está cantando “meu mundo caiu”…

Maysa – Meu mundo caiu.

Espero que tenham gostado. Quem vocês gostariam de ver por aqui?

categorias : Comportamento
Laís Maia
Laís é advogada, mas com uma alma boêmia para Vinícius de Moraes nenhum botar defeito. Sergipana de criação e coração, voltou para a terra da garoa e se divide entre horas de pessoa jurídica e de falta de filtro social. Tem um quê de autismo, mas na verdade é um doce de pessoa.

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1 Comentário
26/06/2014 às 20h01
O nome da cidade é Maricá. Estou gostando muito dos seus textos! Eu sou aficcionada por biografias! Já li várias e tenho esse lado 'fifi', como você falou. Rsrs Gosto de saber como o outro fez ou faz para viver às mais diversas situações. Abraços.