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Clube do bordado: 6 amigas e os encontros semanais que rendem bordados incríveis

por:
publicado em: 14/05/2015

ATENÇÃO: *Essa entrevista é super antiga (de agosto do ano passado) e só publiquei agora por diversos motivos de saúde da minha parte: como tive um super problema no ombro, precisei priorizar minha recuperação, ficando distante do Miss Caffeine mais do que eu gostaria. Agora estamos voltando, e nada melhor que voltar com essa entrevista linda das meninas <3

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Marina, Camila, Amanda, Laís, Renata e Vanessa chegaram no meu Instagram através do Explorar. As 6 compõem o incrível Clube do Bordado, fonte de inspiração com tanta delicadeza bordada. Sempre que passo pelo instagram delas, a minha vontade é comprar tudo e colocar na parede de casa o mais rápido possível.

O clube funciona da seguinte forma: todo mundo borda em casa, mas todas as quartas elas se reúnem na casa de Laís e Renata para bordar, se divertir e conversar entre amigas. Assim nascem coleções bordadas, encomendas de clientes e uma chuva de bordados lindos.

Nome, idade e profissão:
> Marina Dini, 27, designer de moda
> Camila Gomes Lopes, 27 anos, designer de moda
> Amanda Zacarkim, 27 anos, editora web
> Laís de Souza, 27 anos, produtora de moda
> Renata Dania, 27 anos, designer de moda
> Vanessa Israel, 24, designer

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Qual foi o primeiro contato com os trabalhos manuais?
Marina: Como estudei em escola de pedagogia Waldorf, tive contato com trabalhos manuais desde cedo. Tricô, crochê, tear e costura eram matérias obrigatórias no colégio. Desde então os trabalhos manuais sempre fizeram parte da minha vida.

Camila: Minha primeira lembrança de bordado é lá pelos 5 anos, quando minha mãe bordava nossas (minha e das minhas irmãs) fantasias de carnaval, cheias de lantejoulas e pedrarias, e eu sempre queria ajudar.

Amanda: Com as comadres da minha avó, que são costureiras, e com o universo dos botões e customizações. Quando eu era adolescente, comprava os tecidos e desenhava minhas próprias roupas para ocasiões especiais. Bordava desenhos com paetês nas minhas roupas e colocava tachinhas em tudo o que era meu, de mochila, all-star a ‘enfeites’ de cabelo. Tudo sem muita técnica e a partir do ponto básico para consertar roupas que minha avó tinha ensinado. E isso ao mesmo tempo em que tinha pavor dessa história de pintar pano de prato ou fazer crochê para os paninhos de cozinha – e isso era BEM comum na minha cidade (que tem 12 mil habitantes).

Laís: Vale lápis de cor na infância? hehehehe
Na verdade eu sempre gostei de trabalhos manuais, mas acredito que na faculdade é que comecei a ter mais contato por conta das disciplinas. Fiz Desenho Industrial e tinha algumas aulas de cerâmica, gravura, etc. Na faculdade é que comecei a ter uma noção maior do trabalho manual como trabalho e não só como hobby.

Renata: Desde pequena tenho contato com trabalhos manuais. Uma avó é costureira, a outra bordadeira, e minha mãe sempre fez atividades relacionadas a trabalhos manuais, como pintura, bordado, tricô…portanto sempre tive contato com vários trabalhos manuais diferentes. Diria que o primeiro contato foi com a avó costureira, mesmo, quando ficava no ateliê dela brincando com botões e tecidos enquanto ouvia o barulho do pé de máquina de costura.

Vanessa: Acredito que desde criança sempre gostei de estar entre tintas, tecidos, linhas e agulhas.

Vocês fazem só bordados? Quais tipos?
Marina: Hoje o clube é direcionado exclusivamente ao bordado, mas a partir deles criamos alguns materiais impressos também. É bordado clássico com ponto atrás, ponto haste, nó francês, ponto cheio entre outros. Mas estamos abertas para incluir e criar outros tipos de técnicas.

Quando e onde aprenderam?
Marina: Aprendi com a Camila em um dos primeiros encontros do Clube do Bordado.

Camila: Aprendi com a minha mãe, ela sempre dividiu essa paixão por trabalhos manuais comigo. A gente sempre gostou de pintar, desenhar e bordar, e ela foi me ensinando tudo o que sabia ao longo dos anos.

Amanda: Aprendi a bordar mesmo, com afinco, ano passado, a partir do primeiro encontro do Clube do Bordado. A Camila, nossa tutora, foi super paciente e me ensinou o ponto haste. Fiz uma letra e acabou por aí. Chegando em casa, quis bordar um coração para testar as ‘curvas’ do trabalho. Na aula seguinte eu já estava acabando com uma camisa de linho (só porque eu adorava a cor do tecido) para começar meu primeiro projeto.

Laís: Aprendi a bordar com a Camila, aqui no clube.

Renata: Aprendi com a minha avó, há muito tempo. Mas não pratiquei o suficiente para guardar os ensinamentos. Reaprendi com a Camila, minha veterana de faculdade e integrante do Clube e tenho praticado semanalmente, desde então.

Vanessa: Ainda na faculdade comecei a bordar intuitivamente usando a linha pra desenhar, porém o acabamento era terrível e o avesso era de dar dó, até que nossa professora Camila – também integrante do clube – me ensinou suas técnicas de bordadeira profissional, mas ainda tenho muito a aprender <3 clube do bordado_01

Vocês fazem por hobby ou também vendem?
Marina: Começamos bordado pelo simples prazer de aprender algo novo, descansar da rotina e encontrar para bater papo. Surgiu a oportunidade de participarmos na Popporn e não pensamos duas vezes. A partir desse evento começamos a comercializar nossas criações.

Camila: Até a faculdade era só um hobby, gostava de fazer pra mim e para dar de presente, depois comecei a fazer pra vender, principalmente na época em que estava desempregada, até decidir que é com isso que quero trabalhar e começar a investir como negócio mesmo, no Clube do Bordado.

Amanda: Começou como um hobby, há um ano atrás, e desde o começo de junho deste ano se tornou um negócio. Desde então, já entregamos cerca de 15 encomendas e novos pedidos não param de chegar! ;D

Quando e onde vocês costumam bordar?
Marina: Semanalmente nos encontramos na casa das bordadeiras Rê e Lalá e eventualmente bordados por aí. Já viajamos pra Passa Quatro para bordar e também fizemos encontros no parque. Mas não precisamos estar juntas para bordar, todas já conseguiram incluir o bordado no dia-a-dia e cada uma arruma um tempinho pra se dedicar à atividade.

Como surgiu o clube do bordado?
Marina: Surgiu com o desejo de ocupar uma parte da nosso tempo com uma atividade gostosa. A Rê e a Lalá viram os bordados da Camila e pediram algumas aulas em casa. Elas amaram e foram chamando mais amigas para formar uma espécie de clube. O grupo cresceu e hoje formados um clube com bordadeiras.

Como o clube funciona?
Vanessa: O clube funciona a base de muito coração aberto, experiências compartilhadas, vinho e quitutes deliciosos. Além disso, nos dividimos entre as tarefas administrativas de acordo com a afinidade de cada uma, temos uma gestão totalmente horizontal.

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O bordado livre permite um trabalho muito autoral e vi que vocês bordam ilustrações e frases inspiradas em pornografia. É uma característica do clube? Pq escolheram essa temática? De quem são as ilustrações?
Amanda: Acho que uma característica do Clube que pode ser pensada aqui e que é mais abrangente que essa tem a ver com o fato de bordarmos o que nos inspira, o que representa algo importante para nós. Essa coleção softporn é apenas a primeira, já estamos produzindo a segunda coleção, com o tema Cinéfilos, sobre cenas, personagens e filmes que cada uma ama. A ideia dessa coleção soft porn é representar o universo da intimidade e do feminino de forma em que o delicado e o tabu estejam representados juntos, sem hipocrisia mas sem levantar bandeiras de gênero. Todo mundo pode achar a sexualidade um assunto belo e passível de discussão, e a gente usa o bordado para isso. Todas as ilustrações são nossas; mas, para mim, como ilustração não é meu forte, me inspirei muito nos quadrinhos eróticos do Milo Manara e do Guido Crepax.

Renata: A coleção do Soft Porn foi a primeira que fizemos, mas não é a nossa única vertente. Pretendemos fazer coleções diferentes, mas sempre temáticas. A temática do Soft Porn surgiu com um bordado que a Vanessa fez que todas amaram. Em seguida, coincidentemente ou não, fomos convidadas para participar da feira PopPorn. Então exploramos este tema, da pornografia, como primeira coleção para podermos expor e vender na feira.
Nesta primeira coleção temos algumas ilustrações inspiradas em outros ilustradores, como Milo Manara. Mas desde que o Clube virou negócio as ilustrações são todas nossas.

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Onde vocês buscam inspirações?
Camila: Pinterest e instagram são minhas eternas fontes de referências! E nossos encontros também são grandes fontes de inspiração.

Renata: Acho que tudo que faz parte do meu dia a dia me inspira, a cidade, o clima do dia, um filme que assisti, um livro que estou lendo, a música-vício-da-semana ou algo que vi na internet. Até o que comi no almoço pode me inspirar.

Vanessa: Em tudo na verdade, às vezes a ideia pra um bordado pode vir de uma conversa, uma foto, um filme… e principalmente da combinação de todos estes.

Amanda: Em obras de arte, em posters de design, em tatuagens, em fotografias…

Vocês acompanham artistas que bordam? Quais?
Renata: Tem a Michelle Holmes, que faz uns bordados à maquina lindos; a Kimika Hara, uma japonesa que faz uns preenchimentos maravilhosos e a Yumiko Higuchi, que para mim é a mais-mais de todas.

Camila: Gosto dos trabalhos da Coral&Tusk, Yumiko Higuchi, Maricor Maricar, Ana Teresa Barboza, Izziyana Suhaimi.

Vanessa: Gosto muito dos bordados despretensiosos feitos à máquina da Samantha Louise.

Amanda: A-m-o o incrível Maurizio Anzeri.

Laís: Eu acompanho a página Embroideryart.jp, tem uns trabalhos muitos lindos.

Como vocês são jovens, qual a reação das pessoas quando vocês falam que estão bordando?
Camila: Até agora foi tudo muito positivo. Acho que estamos mostrando que bordado não é só coisa de avó, é mais uma técnica para se expressar.

Vanessa: É sempre um susto! hahaha Todas as vezes que vou até a fábrica de bastidores compro diretamente com o dono, um senhor muito simpático que está na empresa desde a sua fundação. Sempre que chego lá tenho que passar pelo mesmo diálogo “Você tá comprando bastidor pra quê, menina?” “Pra bordar, ué.” “Mas ainda tem moça da sua idade que borda?”.
Tem sim, senhor!

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E pra finalizar, qual a sensação de vocês quando estão bordando? O que o bordado significa para vocês?
Camila: Eu amo bordar, é quando eu fico perdida no meu mundo, fazendo cada ponto com cuidado e paciência, e quando termino vem aquela sensação boa de satisfação, de ter feito algo bonito com as próprias mãos.

Laís: O bordado é uma das formas que eu encontro para me desligar do externo e me concentrar em uma só atividade. É bem terapêutico.

Renata: O bordado é um processo terapêutico. Enquanto eu bordo estou concentrada, é como se fosse uma meditação. Você foca nas linhas passando no tecido, em colocar a linha na agulha e no resultado que vai se formando. O bordado pra mim tem sido um encontro para muitos questionamentos: sobre o tempo que dedicamos às coisas, sobre o encontro com uma atividade do passado, que estamos representando com referências atuais; é a valorização do exclusivo, porque por mais que tentemos reproduzir, um bordado nunca mais será reproduzido da mesma forma. Isso tudo tem sido muito valioso.

Vanessa: O bordado me ensina a ser mais paciente, focada e tranquila, me ensinou para além dos tecidos que vez ou outra é preciso desmanchar o que já está feito e começar de novo pra ter um resultado melhor.

Você pode acompanhar os trabalhos do Clube do Bordado no Facebook e também no Instagram.

categorias : Crafts e DIY
adelle
Sergipana e mora em São Paulo. Canceriana com ascendente em leão, apaixonada por café, bordados, Danilo e bolo. Tem uma casa colorida, ama ouvir os seus discos de vinil, descobrir novos lugares e sempre acaba nos mesmos de sempre. Agulhas, linhas, brincos grandes, cores e muitas estampas fazem parte do seu dia, assim como o Miss Caffeine.

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1 Comentário
Margarete Monteiro
24/09/2017 às 20h22
Bordar é tudo de bom! Parabéns meninas!
Sakura Nascimento
29/12/2015 às 20h46
Estou encantada por esse site e quero muito aprender a bordar , mas, me disseram que é necessário saber desenhar , que ficaria mais fácil na hora de bordar ter um rascunho do que eu iria fazer.Enfim, estou super animada para começar e espero aprender logo. ♥♡