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Sobre Tournier, stop-motion e coisas gratificantes

publicado em: 15/07/2013

 

Esta humilde animadora que vos fala tem o orgulho de, nesta semana, falar sobre a mostra que reuniu os trabalhos de um dos animadores que ela mais admira. Pois é, no comecinho do mês eu estive na Mostra Tournier em Movimento: A expressão da animação uruguaia, que aconteceu na Caixa Cultural, aqui em São Paulo, passou pelo Rio de Janeiro e, durante esta semana, acontece em Brasília.

 

 

Walter Tournier tem mais de 30 anos de carreira como animador e foi o responsável – junto com uma equipe fantástica – pela animação “Selkirk, o Verdadeiro Robinson Crusoé”, primeiro longa em stop-motion da América Latina. A mostra é lindamente organizada pelo pessoal da Split Filmes, estúdio de animação, games e ilustração de São Paulo, e reúne a obra do animador em sessões de cinema, bate-papos, oficinas e exposição dos principais trabalhos do animador, incluindo sketches e stills das animações.

 

 

Mais conhecido por realizar animações para crianças com temáticas como responsabilidade ambiental, educação e direitos, Walter Tournier  já teve episódios da série “Direitos da Criança” exibidos na programação da TV Brasil. Foi assim que tive o primeiro contato com o seu trabalho e pude conhecer outras de suas animações, como “Apesar de Tudo”, “O Chefe e o Carpinteiro” e  a série “Tonky”. Walter encara as crianças não só como telespectadoras, mas como seres capazes de entender e mudar o mundo à sua volta.

 

 

A Mostra também contou com três oficinas e um bate-papo com o Tournier. A diretora de arte do estúdio, Lala Severi, falou sobre como é planejar e construir os bonecos e como adaptá-los para o movimento. Ouvir os dois falarem sobre isso foi maravilhoso: eu, como grande admiradora do trabalho deles, não tirava os olhos dos modelos, armaduras e ouvia atentamente cada dica sobre os diferentes materiais que utilizaram, quais funcionavam e quais não eram lá muito indicados.


 

 

 

Aqui no Brasil, a obra de Tournier não é muito difundida e a importância de uma mostra desse nível é indiscutível. É comum ouvirmos que a América Latina não tem tradição em animação: isso pode ser verdade em alguns termos, já que não há uma longa história de animação de bonecos antiga igual à Inglaterra ou República Tcheca, e a animação no Brasil começou basicamente na década de 1910. Mas eu acredito que a tradição se constrói através de autores e animadores como o uruguaio Tournier e de brasileiros como o Marcos Magalhães e muitos outros que temos por aqui. É a vontade de manter viva a arte de animar, de resgatar a história e continuar construindo. E tudo fica mais gratificante quando você recebe dois recadinhos assim:

 

 

Vocês já devem saber que me empolgo muito falando de animação, né? Então, façam-me um favor bem bonito: conheçam a obra do Tournier e dos animadores brasileiros. Isso também quer dizer que fico devendo – e com muito prazer – um post sobre animação no Brasil pra vocês. :)

 

http://www.youtube.com/watch?v=9egf0tiFX4Q

 

Quero agradecer aos meninos da Split, Jonas Brandão e Victor Gaspari, e à Carola Gonzalez, que fez as fotos dos bonecos da animação “Selkirk, o Verdadeiro Robinson Crusoé”.

 

 

categorias : Design / Inspirações
Ellen Rocha
Ellen é animadora stop-motion/2D e produtora de conteúdo. Totalmente sergipana, faz do “veash”parte do seu vocabulário diário. É doida por animação, smoothie de morango e banana, cintura alta, Wilco, chelsea boots, e dizem por aí que é autodivertida. Tem sérios problemas de repetição quando não gosta de uma música, mas quem pode julgar, né?

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1 Comentário
Aline
16/07/2013 às 13h19
veash neguinha, amei!! <3 <3