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Alison Bechdel e seus Tragicomics

publicado em: 02/08/2013

Apesar de ter começado a ler e amar HQs mais tarde, meu irmão acabou criando um ótimo gosto por graphic novels. A prova disso foi o volume de Fun Home – Uma Tragicomédia em Família (sim, eu sei que a tradução mata um pouco do jogo de palavras, mas foi assim que saiu por aqui) que encontrei na estante de casa, num dia de almoço – adivinhem – em família! Comecei a ler pra passar o tempo e quando dei por mim, já estava no meu apartamento com o livro em mãos, sem conseguir nem mesmo dar uma pausa pro xixi.

Fun Home é o primeiro romance ilustrado de Alison Bechdel, mas se engana quem acha que é sua estréia: há mais de 20 anos ela roteiriza, desenha e às vezes faz participações em tinta e cores na tira Dykes to Watch Out For, uma das primeiras que se atreveram a retratar a cultura gay em quadrinhos. Com o mesmo humor das tirinhas, mas de maneira muito mais profunda, Alison escreve sobre si ao mesmo tempo em que escava a problemática história de seu pai, numa tentativa de criar uma conexão entre os dois.

Sim, Fun Home é um livro sobre a relação de Alison com Bruce, o pai, mas também é uma história sobre escolhas e como elas nos afetam de maneiras completamente diferentes (e como as processamos durante nossa vida). Através de passagens de grandes romances americanos e nomes como Scott Fitzgerald, Albert Camus e Henry James, Alison traça paralelos entre os autores, seus personagens e a dinâmica de sua própria família que, segundo ela, age de maneira tão fictícia quanto.

E é justamente aí que eu deixo minha primeira dica: não dá pra ler Fun Home como quem não quer nada. Eu explico – Não é uma leitura leve, mas também não suga energias. Não é totalmente engraçado, mas não é só triste. É meticuloso, mas não deixa de ser simples. Fora que são tantas referências e alusões, que quem não está habituado com as obras citadas pode se perder entre tantos nomes. Por isso aí vai a segunda dica: livro dum lado e Wikipedia do outro. Ainda assim, com tantos “requerimentos”, não dá pra largar o livro e querer conhecer mais as pessoas que foram retratadas ali.

O processo de criação/produção de Fun Home é outra maravilha à parte. O tom esverdeado da página, por exemplo, é totalmente baseado no papel de parede da casa onde Alison e sua família viveram grande parte de suas vidas. Já as poses e expressões dos personagens foram inspirados em fotos onde a própria Alison servia de modelo – inclusive para as cenas “estreladas” pelo pai (o que por si só já é de arrepiar).

Sei que há muito mais pra falar sobre este livro, pena que soltar mais detalhes seria acabar com a experiência de lê-lo. Então é melhor parar por aqui e deixar vocês com essa vontadezinha de já sair googleando e querendo saber tudo sobre.

P.S.: se fizer isso, você provavelmente vai descobrir que Alison escreveu uma outra memória em quadrinhos e, desta vez, sobre sua mãe. Contenha-se e espere até o próximo post, que vai ser justamente sobre ela! : )

categorias : Livros e Filmes
Mônica Déda
Mônica já foi um pouco de tudo e, se ainda der tempo, quer ser um tanto mais. Aprendeu a ler com a Turma da Mônica, perdeu muita aula de Biologia sonhando em desenhar pra Marvel e hoje fica feliz em sair pintando qualquer coisa por aí. Ama lasanha acima de (quase) todas as coisas, vive com um gato argentino que mia tão bem quanto um pombo e só consegue dormir com o barulho do ventilador.

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